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ENTREVISTA: Charli XCX para Pitchfork

Charli XCX revelou ao Pitchfork que comprou uma mansão de campo em junho mas só conseguiu ir só quatro vezes e pretende fazer uma decoração insipirada nos anos 70 e passar o Natal lá. Apesar da mansão, o reconhecimento com por sua colaboração ”Fancy” e a participação de uma trilha sonora, Charli diz que suas ambições são mais do que o sucesso para si mesma, não tendo tanto interesse na fama. “Eu quero ter uma editora e uma gravadora. Eu quero assessorar cinco artistas”.

Pitchfork: Através do título “Sucker” e “Break the Rules”, você parece dizer que existe mais do que um caminho para encontrar sucesso na industria da música.

Charli XCX: Eu escrevi “Sucker” quando eu estava muito brava. É sobre a minha visão cínica da industria musical. Quando “True Romance” saiu, muitas pessoas ainda duvidavam de mim como artista e compositora. Mas só depois de “I love It”, ” Fancy” e “Boom Clap” as pessoas começaram a prestar atenção. Eu achei difícil de lidar com alguem que te rejeita mas depois beija sua bunda. (Mesmo sabendo que isso é a industria).

As pessoas sempre vinham até mim e diziam, “Oh, [Dr.] Luke ama suas coisas, bom trabalho” como se isso significasse “Parabéns, você conseguiu!” Isso é estranho pra caralho. Sobre ” Break The Rules”, eu fui fumar um cigarro no carro, no estacionamento dos estúdios Westlake e cantei a ideia do refrão no meu celular (eu ainda tenho isso). Steve Marc estava lá dentro trabalhando nas batidas e isso combinou.

Pitchfork: Você escreveu partes do True Romance quando tinha 16 anos, é completamente difícil ser auto-consciente quando ainda crescendo.

XCX: Eu ainda tenho muito orgulho do True Romance mas é diferente, eu tinha medo quando escrevi aquele álbum. Você consegue ouvir isso. Me sentia nervosa e preocupada sobre o que pensariam de mim. Queria fazer um álbum pop mas “cool”. Agora eu não dou a mínima se as pessoas acham que eu não fiz um álbum “cool”.

Pitchfork: É engraçado ouvir você dizer isso, porque uma coisa que você realmente se sobressai é fazendo uma ponte entre o  mainstream pop e ”cool” pop. Você se encontrou com grandes produtores como Stargate, Benny Blanco, Patrik Berger,Cashmere Cat, Ariel Rechtshaid, e Rostam Batmanglij durante o processo de Sucker.

XCX: Isso é o que eu pretendo fazer como artista. Eu odeio a idéia das pessoas de que eu sou apenas uma menininha que vai para estúdios com produtores pop e eles fazem sua magia. Eu produzi executivamente esse álbum, eu coloquei essas pessoas em uma sala juntos, porque eu pensei que seria certo.

Pitchfork: Você trabalhou com Rivers Cuomo, do Weezer na faixa “Hanging Around”. Como foi isso?

XCX: Nós fomos para o estúdio e ele me perguntou, “Qual sua música favorita do Weezer?” eu disse, “Beverly Hills”, e ele ” OK, tive uma ideia,” escrevemos a música. Ele cantou, tocou a guitarra. Estou muito feliz com o resultado.

Pitchfork: Aconteceu algo antes de  Sucker, você foi para Suécia fazer um álbum punk para liberar sua raiva e então, abandonou esse álbum em favor de fazer um pop mas eu ainda ouço elementos punk nessas novas músicas.

XCX: As músicas mais pops do álbum punk agora são as músicas mais punks do álbum pop. Tem uma chamada ”Mow That Lawn” que é insana.

Foi uma experiência terapêutica para mim porque eu estava entediada de ser a menina que não cantou ‘’I Love It’’, mesmo eu tendo cantado a porra da música inteira. Estou bastante audível naquela música.  Eu estava cansada das pessoas me pedirem para escrever uma nova ‘’I Love It’’. Estava indo para uma estrada Dr. Luke com minha competitividade mental. Eu não gostei disso. Não é o que sou. Então fui pra Suécia. Lá todo mundo é legal, não é como em L.A. Eu juntei todas minhas coisas e me senti melhor sobre mim mesma.

 Pitchfork: Recentemente, você colaborou com Lorde trilha Sonora de The Hunger Games: Mockingjay Part 1, em que ela recrutou Simon LeBon para a canção ‘’Kingdom’’. Você é uma grande fã Duran Duran?

Se eu estou sendo honesta, eu sou uma fã, mas não a fã número 1. Foi definitivamente emocionante estar trabalhando com alguém que é icônico e de um tempo diferente do que o meu. Foi sobre isso que eu e Ella [Lorde] conversamos bastante, pensamos em várias pessoas mas Simon pareceu o certo, ficamos animadas quando ele disse sim.

Eu também trabalhei com Rostam [Batmanglij] naquela música. Fomos para o show de Miley Cyrus em L.A. e ficamos muito loucos. Então voltamos para a casa dele, eu me sentei em cima de seu piano e nós escrevemos ‘’Kingdom’’. Nós cantamos no celular dele. Lembro que na manhã seguinte, pensei ‘’ Ugh, isso vai ser a pior coisa do mundo’’ mas ficou boa.  Então, quando Ella me convidou para a trilha,  eu decidi enviar-lhe que a canção mesmo que fosse realmente diferente do que eu faço de costume mas ela elogiou bastante.

 Pitchfork: ‘’Fancy’’ ainda continua na Hot 100. Como você se sente sobre isso?

XCX: Quando a equipe de Iggy me pediu para escrever o refrão de “Fancy”, eu senti como se fosse uma oportunidade para eu fazer uma coisa Eve and Gwen Stefani— uma colaboração forte e feminina.

Não me entenda mal, é incrível que o Top 10 da Billboard seja controlado por mulheres e colaborações femininas mas foi diferente na minha colaboração com Iggy. Não havia expectativa. Não foi prevista pela gravadora. Por isso ”Fancy” funcionou tão bem, foi genuina.

Mas é legal ver todas essas colaborações agora porque a midia sempre nos coloca umas contras as outras, como se lutassemos pela coroa do pop. Eu só estou esperando pela próxima colaboração ao nível Moulin Rouge. Eu quero tentar fazer isso acontecer.

Pitchfork: Quem você colocaria no elenco de “Lady Marmalade” redux circa 2014?

XCX: Eu, Iggy, Gwen, Missy—ela deve estar nisso de novo— e talvez Rihanna.

Sabe o que eu sempre pensei que seria muito legal? Se Beyoncé, Lady Gaga, Rihanna e Nicki fizessem uma música juntas. Todo mundo amaria pra caralho. Por que alguém não faz isso acontecer? Se eu fosse a dona de uma gravadora, isso seria minha prioridade.

Publicado em 16/11/14 por XCX

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