“ei, angels, não sei se vocês viram ainda mas meu amigo e colaborador do Number 1 Angel, ag cook escreveu algumas notas interessantes sobre o processo do N1A mixtape. ele detalou nosso processo no sestúdio, o jeito como escreveram, quais foram nossos colaboradores e mais algumas coisas. recentemente, percebi que não falo muito muito sobre meu processo no estúdio, o que é engraçado porque é uma grande parte do que sou como artista (vou começar a fazer isso, eu prometo). mas vocês devem ler, é bem interessante. o link está na bio e essa foto foi tirada por brooke candy. espero que gostem”

DREAMER: Essa não foi a primeira música que eu e Charli criamos para o Number 1 Angel, mas foi a primeira que nos fez ficar animados o suficiente para realmente considerarmos fazer uma mixtape inteira. O instrumental é um antigo que eu fiz em algum momento de 2016, e sempre se chamou “Dreamer”, (e na verdade ele tem um irmão gêmeo chamado “Screamer”), e então Charli se deu com o título e o transformou numa canção inteira. O primeiro verso com o qual Charli veio é um exemplo perfeito do que ela é ótima em fazer – ele soa super casual e sem esforço, mas é cheio dessas nuances e ângulos que fazem a música ficar pegajosa. As participações…! Starrah foi responsável por muitas músicas maravilhosas nos últimos anos, é enlouquecedor! Sempre que eu fico sabendo sobre um novo escritor/compositor, eu realmente gosto de traçar seus trabalhados enquanto eles se movem entre artistas diferentes. Algumas das músicas que Starrah escreveu foram: Needed Me, Pick Up The Phone, Pass Dat, Fake Love, 2 Phones, Regret In Your Tears…! Cada uma delas encarna o artista envolvido, mas você sempre consegue ouvir a voz e estilo da Starrah vindo. Raye tem um estilo de composição bem diferente, então é realmente satisfatório ouvir como ela pega o flow da Starrah como um ponto de partida, e fica louca com isso. Um ótimo balanço entre batidas complexas e um “eu não dou a mínima. Vocais dos sonhos!

3 AM (PULL UP): Nós começamos a demo dessa há um tempo, talvez um ano atrás? Quando eu e Charli começamos a trabalhar mais juntos, ela veio ao estúdio que eu costumava compartilhar com Finn Keane, também conhecido como EASYFUN. Era um lugar meio esquisito, e Charli foi aberta sobre não estar se sentindo no ‘lugar certo’, mas a gente se esforçou, e Finn e eu fizemos um rascunho de instrumental, provavelmente dentro de 3 minutos. Quando fazemos essas sessões de composição, nós passamos um microfone barato pela sala, apenas mostrando coisas. Charli estava obviamente fazendo o trabalho principal aqui – mas Finn e eu ainda cantamos um pouco quando algo novo vinha. O lance da ligação e resposta no refrão veio do Finn literalmente “respondendo” a ideia de Charli para o refrão, e cantando isso de volta para ela. O ‘ah-ah..da-da-ohooh’ no refrão é algo que simplesmente se formou na minha cabeça e eu decidi gritar isso pela sala antes que fosse tarde demais. Em pouco tempo, tínhamos uma versão bem largada da música, sem muita letra além de “Pull up pull up right to your love”.
Nós compartilhamos uma demo crua para que fomos ouvíssemos e refletíssemos sobre, e foi isso por um tempo. Havia algo sobre como originalmente estruturamos a música que estava nos atrapalhando, várias coisas estavam um pouco fora do lugar – o balanço das sílabas no verso, o jeito que o refrão estourava, etc. Finn é um estudante sério de estrutura de música pop (até para os padrões da PC Music) e provavelmente uma das pessoas mais confiáveis que eu conheço quando se trata de um raio-X objetivo de como tudo deve ser posto junto. Ele também está disposto a passar um tempo testando quase todas as combinações e arranjos, e depois ouvir todas elas – e DEPOIS compará-las com outras músicas que já existem. Depois de algum tempo, ele acabou meio que despedaçando os versos da Charli, e nós acabamos por passar muito tempo produzindo e re-produzindo os sons da demo inicial para que eles enfatizassem a coisa certa na hora certa. Nós dois relembre passamos anos nisso, bem como um exercício de aprendizagem 😛
Quando a mixtape começou a tomar forma, todos nós estávamos bastante felizes com a demo – a qual agora estava melhorada na estrutura e etc. etc., mas a música ainda não era sobre nada. Já indo para o comecinho de 2017, eu e Charli estávamos em Los Angeles tentando terminar a mixtape, escrevendo novas músicas e regravando algumas mais antigas, e em geral tendo muitas conversas sobre o tipo de música que queríamos fazer, tanto a curto quanto a longo prazo. Nós na verdade tivemos um dia bem improdutivo que terminou com vários de nós indo ver a animação musical ‘Sing’ (Charli ama filmes animados, odeia musicais – acho que ela gostou de ‘Sing’ mesmo assim).
Quando voltamos, já era quase 3 da manhã, e Charli foi correndo ficar sozinha no seu laptop, e eu pude ouvi-la tocando a demo em loop. No dia seguinte, ela voltou com essa letra maravilhosa e bem emo, e nós a gravamos imediatamente. Eu acho que a mudança na narrativa no último refrão dá à música muita energia, e muitas pessoas parecem ter se conectado com isso. A participação da MØ também é perfeita, ela adiciona um companheirismo genuíno e a sua voz leva a música a outro nível nessa parte final – possivelmente salvando todos os problemas de estrutura que eu e Finn nunca conseguimos resolver 😉

BLAME IT ON U: Essa também foi feita na mesma semana no começo de janeiro em LA. Charli tem um pequeno quarto para escrever na sua casa, com apenas uma mesa e alguns auto-falantes, mas é um quarto bem legal de ficar. Eu só fiz um loop simples rapidamente e eu pensei que Charli ficaria feliz em escrever em cima daquilo, e então nós dois sentamos com a Noonie, passando um microfone um ao outro. Eu acho fascinante assistir Charli e Noonje escrevendo juntas – elas têm instintos opostos, com Noonie naturalmente jogando detalhes melódicos quase folks (?), enquanto Charli tem tendências gritantes, quase “new romantic” (??) Mas elas realmente estão na mesma onda, se comunicam super rápido, e elas imediatamente concordam quando ouvem ou sentem uma combinação de notas ou de frases que simplesmente funcionam. Então eu adicionei um pouco de vocais auto-tunados divertidos na demo, que acabaram se tornando a base para o primeiro verso. A sessão teve uma atmosfera bem divertida e louca em volta dela, com todos nós usando perucas fluorescentes e fingindo tocar instrumentos no quarto, enquanto Patmore tirava um monte de fotos de vídeos, documentando nós sendo esquisitos. Então eu fui à frente e adicionei essa parte final! Eu pensei que seria interessante a canção estourar de repreende e ir a uma direção diferente, destruindo toda a vibe que foi criada, enquanto, de algum jeito, fazendo com que ela ficasse mais emocionante, do jeito que refrões novos/estendidos conseguem fazer. Na minha cabeça, eu senti que estava referenciando meu remix antigo de Doing It (que eu fiz pra Charli antes mesmo que nos conhecêssemos) e simplesmente fazendo algo bem”A. G.” com a música.

ROLL WITH ME: Eu não estava envolvido com essa faixa, mas ela estava flutuando por aí por um tempo, e era uma das demos que Charli e SOPHIE fizeram antes de Soph se mudar para LA. Têm umas músicas bem bonitas que eles fizeram durante esse tempo, e o trabalho que eles conseguem fazer juntos é incrível. Eu lembro do quanto SOPHIE estava impressionada com a Charli depois de eles terem escrito algumas músicas juntos, e vice versa. Ambos criam música de algo bem profundo, quase um lugar físico – isso não é sempre um trabalho intelectual do jeito que deveria ser… e eu posso provar isso!! 😛 Eu acabei fazendo uma edição de Roll With Me para os shows da mixtape que eu e Charli tocamos, e ela acabou se tornando a introdução para o set todo. Minha tática foi forçar minhas próprias notas densas por cima daquele drop “obscuro” – notas que não deveriam realmente estar ali! Na minha cabeça eu também estava referenciando o jeito que SOPHIE e eu tendíamos a escrever músicas juntos – onde eu me forço a encontrar essas notas bonitas/densas que se espremem e se combinam com todo o design bonito/denso da música.

EMOTIONAL: Essa é outra música em que trabalhei com o Finn, mas o processo foi bem diferente do processo de 3AM (Pull Up). Emotional era originalmente uma demo que Charli escreveu com Patrik Berger (alguém com quem ela escreveu bastante – o que explica porque a música tem uma atmosfera meio “old school Charli”!). Basicamente eles tinham um monte de músicas extras que a Charli queria dar para outras pessoas finalizarem, e ela casualmente nos enviou essa para darmos uma olhada. Finn e eu somos obviamente guiados pela harmonia, e a primeira coisa que fizemos foi adicionar e mudar notas ao longo da música, apenas para que as melodias do vocal soassem tão dramáticas quanto fosse possível. Nós achamos essa parte do processo bem fácil, divertida, mas a produção da música mudou algumas vezes. Nosso instinto inicial foi fazê-la bem calma e íntima, quase-mas-não-exatamente acústica. Charli sempre a viu como algo mais épico, uma música pop de larga escala, mas nos levou um tempo para que a trouxéssemos até aqui. Depois, bem perto da finalização da mixtape, nós times uma sessão de estúdio bem tarde, onde apenas adicionamos coisas que fizeram tudo mais agressivo. Nós até adicionamos esse pianinho pop no refrão, o qual percebemos ser similar com o de Roar! A melodia da Charli é bem diferente, mas você PODE MESMO cantar Roar em cima do refrão, pode tentar…

WHITE ROSES: Esta a canção foi feita do começo ao fim naquela semana em janeiro. Charli às vezes diz que esta é sua música favorita no mixtape. Eu realmente não tenho uma favorita (!), mas eu acho que essa música é especial. Estávamos trabalhando em outra coisa no estúdio, mas então Charli e Noonie ficaram entediadas e me pediram para fazer algo novo. Fiquei impressionado com os bolsos melódicos que Charli e Noonie encontraram na música, e também a entrega vocal de Charli, que de alguma forma é sincera e realmente controlada! Eu tive um tempo engraçado terminando a mixagem desta faixa, Charli ficou extremamente ligada à produção meio demo que fizemos no estúdio, ela realmente não me deixava mudar a produção! Mas para ser justo com ela, acho que foi melhor assim.

BABYGIRL: Outra faixa que não estIVE envolvido, mas estou feliz por tê-la na mixtape. Foi produzido por John Hill, um cara com sede em Los Angeles com um estúdio de Santa Monica que se encaixa nesta faixa. Ele também foi escrito com dois grandes topliners, Sarah Hudson e MNDR, que escrevem super bem, fazem um pop que realmente cruza com o que Charli e PC Music têm feito. Charli e eu estávamos realmente animados para ter Uffie na mixtape também! A música de Uffie foi (por razões separadas) bastante importante para nós dois. Para mim, eu realmente gostei de como ela era “proprietária” do estilo amador de sua voz / letra em faixas como Pop The Glock e F1rst Love. Então, um pouco depois disso, eu senti como se fosse levado para outro nível em algumas das faixas mais loucas que ela fez com Mr. Oizo – como MCs Can Kiss e Steroids – onde tanto a produção e sua entrega são muito divertidos. A presença de Uffie em Babygirl definitivamente tem aquela mesma qualidade, onde perfura completamente o fluxo da música, mas ainda se sente confiante e relaxado o suficiente para se sentir como uma trilha sonora de festas.

 

DRUGS: Essa começou como uma demo estranha. Fui visitar meus pais e fiquei no meu antigo quarto com meu antigo laptop, me senti inspirado para fazer algo. Abrir uma versão antiga do Logic me fez querer usar todos esses sons particularmente básicos, e então eu rapidamente gravei uma versão do gancho usando o microfone interno do meu laptop. Ficou nisso por um tempo mas mostrei pra Charli e ela imediatamente queria que fosse no mixtape.
Algumas das minhas músicas favoritas começaram desse jeito, com um pequeno vocal gravado com algum MIDI. Existe uma versão de Hey QT onde eu canto os versos e SOPHIE canta o refrão, e estamos bem silenciosos para não acordar os vizinhos, e recentemente, fiz uma versão de Make Believe de Hannah Diamond, onde me esforço muito para alcançar as notas. A maioria das vezes, é só pra testar a letra e sentir o som das palavras, é sempre satisfador ouvir uma nova vez re-interpretando isso, fazer real em sua própria forma. Charli conversava com Abra e nós dois pensamos que ela seria ótima para a mixtape. Essa faixa pareceu uma opção óbvia. Mandamos para Abra antes mesmo de ter uma versão decente, ela fez seus vocais. Gostei muito dos extra backing vocals que ela fez, especialmente o jeito como ela apoia Charli com “I can’t get enough…” O jeito como ela cantou isso me inspirou a fazer o refrão final mais forte. PS: Nunca usei drogas (PC Music é minha droga haha) mas feliz de estar envolvido em outro hino de droga.

 

LIPGLOSS: O que posso dizer sobre esta faixa? De certa forma, eu me sinto mais orgulhoso dessa. É muito divertida para tocar ao vivo ou também só para tocar e deixar as pessoas ouvirem. Eu sinto que é evidência de meio híbrida, um nível de tensão próximo de pop-rap-eletrônico-qualquer música que é completamente plausível e funcional, não apenas uma ideia. Já estávamos bem perto de terminar a mixtape quando Charli e Cupcakke começaram a se falar no Twitter, e Charli imediatamente ficou como, “precisamos de algo para CupcakKe!” Nós dois não queríamos que ela se limitasse a algo frio, e estávamos tão motivados pela energia insana que CupcakKe tem, então eu comecei a pensar em instrumentais que eu tinha. Lembrei de uma faixa não lançada do Life Sim chamada “Lightning” de um tempo atrás e que apresentei uma versão editada no Hudson Mohawke’s Warehouse Project em Manchester. Não toco em muitos shows então faço versões novas para cada noite. Ambas, a versão original de Lightning’ e a minha edição canalizaram uma espécie de intensidade de Hud Mo, mas com uma linha de sintetizador que é bastante agitada e um pouco desconfortável para dançar, então, para a mixtape, reduzi a velocidade um pouco e adicionei um meio-tempo onde imaginei CuppcakKe cantando. Mandei imediatamente para ela e em alguns dias, nós tínhamos o verso de CupcakKe, funcionou perfeitamente. Então este show para Fader surgiu, onde Charli, Sophie e eu tocamos juntos. Decidimos debutar algumas músicas da mixtape mas Lipgloss acabou não sendo tocada. Soph e eu conversamos sobre a energia de CuopcakKe, e era óbvio que a música iria explodir (de uma boa maneira). Eu acabei terminando o arranjo final em minha própria casa em Londres. Por esse ponto, eu sabia que Lipgloss seria a última faixa na mixtape, então eu pensei que seria doce ter este extra “It’s Charli …”.

 

 

Confira as fotos tirada durante as gravações da mixtape:

Ouça “Number 1 Angel”: